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Fé e justiça: Colégio dos Jesuítas promove reflexão sobre educação antirracista

Palestras do professor Thalisson Bomfim abordaram o reconhecimento do racismo e práticas de equidade na escola

 

 

O serviço da fé anda junto com a promoção da justiça. Na primeira semana de setembro, o Colégio dos Jesuítas recebeu Thalisson Bomfim, professor, pesquisador e militante do movimento negro, integrante da rede Educafro Minas, para uma série de palestras e conversas sobre educação antirracista. Os encontros envolveram estudantes, professores, coordenadores e a Equipe Diretiva para refletir sobre o racismo, suas diferentes formas de manifestação e os caminhos para enfrentá-lo no cotidiano.

 

Nos momentos formativos promovidos pelo Comitê Local do Cuidado e Proteção do Colégio, Thalisson convidou os participantes a reconhecer manifestações de preconceito e discriminação e a pensar em atitudes concretas para a construção de uma escola cada vez mais inclusiva e comprometida com a equidade. Para o educador, “combater o racismo é também uma forma de cuidar”.

 

Em suas falas, o professor destacou que experiências de desvalorização, exposição a estereótipos, exclusão ou constrangimento podem deixar marcas na trajetória de crianças e adolescentes, afetando aspectos como a autoestima, a construção da identidade e o sentimento de pertencimento. “Precisamos considerar que aquilo que ensinamos, o currículo oculto e as referências que oferecemos têm um papel importante. Se estudantes negros raramente aparecem como protagonistas, líderes ou personagens positivos, podemos, mesmo sem intenção, transmitir a ideia de que determinados lugares não lhes pertencem”, ressalta.

 

Antirracismo como prática cotidiana

 

Mais do que uma ação pontual, a educação antirracista precisa fazer parte da cultura institucional e das escolhas que acontecem diariamente no Colégio. Nesse sentido, Thalisson chama a atenção para a importância de observar práticas já existentes e ampliar perspectivas.

 

“Uma educação antirracista não precisa significar mais uma tarefa para os educadores. Precisamos olhar para aquilo que a escola já faz e perguntar como podemos fazer isso de maneira mais representativa, crítica e inclusiva”, propõe.

O compromisso também se manifesta na maneira como a escola responde às situações de racismo. Por isso, a formação permanente de todos os profissionais da escola e a atenção à representatividade nos espaços de decisão também são apontadas por Thalisson como caminhos importantes.

 

Na perspectiva apresentada pelo professor, a educação antirracista integra a concepção de formação integral, dialogando diretamente com a missão educativa do Colégio dos Jesuítas e com o compromisso da Rede Jesuíta de Educação com a justiça socioambiental. “Cuidar da formação integral também significa criar condições para que cada estudante possa construir sua identidade com dignidade e desenvolver uma relação saudável consigo mesmo e com o outro”, afirma.

 

Para ele, essa abordagem está em sintonia com a tradição educativa da Companhia de Jesus, que relaciona o serviço da fé à promoção da justiça e à formação de pessoas capazes de reconhecer e superar obstáculos à reconciliação.

 

 

 

Um compromisso coletivo

 

Além das palestras com a comunidade educativa, Thalisson se reuniu com integrantes da Equipe Diretiva e do Comitê Local do Cuidado e Proteção do Colégio. O encontro possibilitou aprofundar a discussão e refletir sobre caminhos institucionais para fortalecer práticas e consolidar o compromisso com uma educação antirracista.

 

“A escola antirracista não é uma escola que afirma que o racismo não existe. É uma escola que reconhece que ele existe, que está disposta a enfrentá-lo e que entende que essa responsabilidade é coletiva”, ressalta.

 

A ação realizada no Colégio dos Jesuítas reforça, assim, o compromisso de toda a comunidade educativa com a construção de relações pautadas pelo respeito, pela dignidade e pela equidade. Trata-se, também, de um convite permanente à reflexão e à revisão de práticas, em sintonia com a missão de educar para a transformação da sociedade.