Blog

14º Fórum das Equipes Diretivas da RJE destaca diretrizes estratégicas e legado da educação jesuíta

Colégio dos Jesuítas participa do encontro nacional que fortalece o alinhamento entre as unidades educativas da Rede

 

 

 

Teve início nesta terça-feira, 19 de maio, no Colégio Loyola, em Belo Horizonte (MG), o 14º Fórum das Equipes Diretivas da Rede Jesuíta de Educação (RJE), reunindo lideranças das 18 unidades educativas de todo o Brasil para três dias de formação, alinhamento e planejamento. A programação começou com a oração de acolhida conduzida pela equipe de Formação Cristã e Pastoral do Colégio Loyola, seguida da abertura oficial do encontro, realizada pelo diretor-presidente da RJE, professor Fernando Guidini, que trouxe em sua fala dados da Rede e tendências da educação. “Que possamos viver esses dias como peregrinos, de coração aberto, disponíveis para acolher os desafios e esperanças da missão que partilhamos desde a educação”, disse. Durante a manhã, também aconteceu a apresentação da equipe da João Paulo II, nova escola integrante da Rede Jesuíta de Educação, localizada em Feira de Santana (BA).

 

Na sequência, os participantes aprofundaram reflexões sobre o contexto do Planejamento Estratégico da RJE, com foco nos projetos da segunda fase do Grupo de Trabalho (GT), nos processos de apreciação externa e nos planos estratégicos locais estruturados a partir de três pilares.

 

Um dos momentos centrais do dia foi a celebração dos 40 anos do documento Características da Educação da Companhia de Jesus, marco orientador da missão educativa jesuíta no mundo. A reflexão foi conduzida pelo Pe. Washington Paranhos, SJ, diretor do Centro Loyola de Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e professor de Teologia e Cultura Religiosa na PUC-Rio, que destacou a аtualidade do documento, publicado em 1986, diante dos desafios contemporâneos e sua relação com a Primeira Preferência Apostólica Universal, que convida ao aprofundamento da experiência de Deus como fundamento da ação educativa. Segundo ele, o grande desafio das escolas jesuítas hoje é oferecer uma formação integral que responda tanto ao rigor acadêmico quanto à saúde espiritual de estudantes, educadores e famílias. “O documento já apresentava questionamentos que seguem muito presentes nos dias atuais. Não se trata apenas de pensar no número de alunos, mas de refletir sobre a qualidade do ensino que estamos transmitindo e sobre o tipo de ser humano que estamos formando”, afirmou.

 

 

Outro ponto abordado foi o papel da escola diante das transformações nas relações familiares e sociais. Muitas famílias vivem sobrecarregadas pelas demandas profissionais e acabam terceirizando ou hipergerenciando a vida escolar dos filhos. Nesse contexto, segundo ele, a escola é chamada a ser espaço de acolhimento, discernimento e desaceleração. “A pedagogia inaciana nos ajuda a educar a atenção, valorizar a pausa, acolher o erro e cultivar a espiritualidade no cotidiano escolar. Precisamos ajudar os jovens a construir narrativas coerentes em meio a conteúdos fragmentados e superficiais”, disse.

 

Pe. Washington também enfatizou a importância da cura personalis como fundamento da educação jesuíta, reforçando que cuidar integralmente da pessoa exige um olhar atento para a realidade dos estudantes, de suas famílias e também dos educadores. Ao tratar dos desafios contemporâneos, ele chamou atenção para o vazio de sentido experimentado por muitos jovens em meio à autossuficiência tecnológica, além da necessidade de fortalecer o acompanhamento pedagógico e humano nas escolas. “A docência é um ato profundamente relacional e exige interioridade ativa. Precisamos valorizar a qualidade da presença docente, proteger o professor da mecanização burocrática e recuperar também o sentido inaciano do descanso”, ressaltou.

 

Como horizonte para a educação jesuíta, Pe. Washington reforçou a necessidade de construir “uma escola com alma”, comprometida não apenas com resultados, mas com processos genuínos de humanização. “Organizamos a escola em função do que o ser humano é. O magis inaciano deve gerar esperança, solidariedade e profundidade, nunca estafa mental”, concluiu. O dia foi concluído com a Eucaristia, celebrada pelo jesuíta.