
Convidado para escrever algo sobre Santo Inácio, neste 31 de julho, próximo, fiquei refletindo comigo mesmo: o que falar? Parece estranho, esta pergunta, uma vez que um jesuíta tem, pelo longo trajeto formativo, conteúdo para escrever longas e apaixonadas páginas sobre Inácio. Mas, a dificuldade de falar sobre Inácio não está na falta de conteúdo, mas na abundante quantidade de material disponibilizado. Foi, então, que outro questionamento se agregou à curiosidade inicial: o que é ser santo?
Sobre esta última curiosidade levantada, pus-me num exercício de imaginação para buscar ouvir Inácio de Loyola que fala, a partir do testemunho deixado por ele, sobre o que é ser santo. E o que se pode ouvir sobre a santidade é que ser santo é amar a humanidade que exala a presença de Deus em sua existência. É estar constantemente de mãos dadas com o nosso humano. Essa é a inspiração que me vem ao observar e ouvir Inácio: ser santo é não ter vergonha da criatura que somos e que faz parte da nossa constituição de filhos de Deus. Nosso Criador soprou em nossas narinas e nos deu a vida. Então, é partindo de nossa humanidade que experimentamos a verdadeira santidade.
Que testemunho/exemplos podemos seguir de Inácio a caminho da nossa santidade? Conhecer-se, desejar e reconhecer. São estes os três grandes movimentos – testemunho/exemplo – que saltam aos olhos acerca de Inácio de Loyola.
Inácio, sem sombra de dúvidas, conhecia muito bem suas ambições, sabia o que queria na sociedade que à qual pertencia. Ele lutava, arduamente, contra todos os tipos de forças que surgissem em seu caminho e o impedissem de alcançar os seus propósitos. A sua ambição, o seu desejo de ser o mais importante – como dizem os estudantes “ser o cara” – o levava a enfrentar tudo e todos em vista do que queria. Vejam que até a bala de canhão que o atingiu no joelho, se transforma em uma ação de Deus que o atingiu no coração. Inácio foi sempre obstinado no que queria!
Na motivação do jovem espanhol sempre estava um “mais”, posso ir além, posso ser mais e quero ser mais. Quanto mais o tempo passava, mais Inácio se conhecia e aumentava o seu desejo pelo MAGIS. Acredito que para Inácio o conhecimento de si foi o fortalecimento do âmbito do desejo para seguir o caminho apresentado por Deus.
O jovem espanhol foi um homem de fortes e profundos desejos. Inácio desejava muito. Não cabe aqui fazermos juízo do desejo, mas saborearmos a essência desses desejos. Se Inácio não fosse movido pelo desejo de ser o melhor diante da realeza da época, certamente não teria o mesmo fulgor e vigor de querer ser mais no serviço do Reino de Deus. É o desejo que nos move em nossas buscas, Inácio se moveu pelos seus desejos e nesse mesmo movimento foi capaz de reavaliar seus desejos, mas não deixar de desejar.
Conhecer-se e desejar faz com que haja reconhecimento – um caminho que é sempre de alteridade. Inácio, ao passo de seus movimentos de mudança pessoal, foi reconhecendo que Deus não o julgava em sua humanidade. Inácio sabia-se pecador, mas sabia que muito além de seu pecado estava Deus, corrigindo-o de seus escrúpulos e autojulgamento. Deus quis e fez com que Inácio continuasse a desejar, conhecendo-se e reconhecendo, a fim de galgar o degrau da profunda alteridade.
Inácio é um santo que hoje nos mostra que santidade é fruto de uma caminhada humana não temerosa de quem somos e desejamos. A santidade de Inácio nos abre para o grande desafio em nossos tempos: acolher a si e o outro. Foi isso que Deus fez com Inácio. E, experimentando tão profundo movimento de alteridade do Criador e o humano santo, Inácio, dispensou o mesmo que recebera de Deus aos seus primeiros irmãos de caminhada: acolheu-os, longe dos julgamentos, e potenciou o lado humano de cada um dos primeiros companheiros em vista também da santidade que passa impreterivelmente pelo serviço ao próximo.
Neste ano inaciano, peçamos a Santo Inácio que nos ajude na caminhada de conversão diária com passos firmes na estrada de Deus que nos leva sempre a servir aos nossos irmãos e irmãs, oferecendo-lhes tudo o que somos e temos, nossos dons. Façamos isso tudo para a maior Glória de Deus.
Por Pe. José Robson Silva Sousa, SJ
Diretor Acadêmico do Colégio dos Jesuítas



Eu tinha 25 anos. Meu vovô tinha 81. No café da tarde, em um domingo chuvoso, ele tomou um gole de café. Bateu o copo na mesa e disse “eu não acredito que o homem foi na Lua”. Pronto. A partir daquela frase, meu tio, minha mãe, meu pai e eu passaríamos o resto do dia tentando provar que ele estava errado. Eu entendo meu avô. O feito de fazer o ser humano pisar na Lua tem algo de misterioso. Esse mistério, contudo, não é apenas pisar na Lua. É a própria natureza humana.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e, frequentemente, acompanha a pessoa por toda a sua vida. É o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados. Ocorre em 3 a 5% das crianças e em várias regiões diferentes do mundo em que já foi pesquisado. Em mais da metade dos casos, o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos.
